O desafio dos nossos dias...

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Jul 11

 

Bento nasce na pequena cidade de Norcia, lá pelo ano 480 d.C. e foi considerado o patriarca do monaquismo ocidental porque foi o principal legislador, reformador e unificador. Foi mandado pelos pais a Roma, porém, temendo de pervertir-se em contacto dos maus exemplos dos seus companheiros, se retirou em solidão antes a Enfide, cidade em Sabina, e depois perto de Subiaco onde um monje, Romano, o revestiu da veste religiosa.

Os monjes de Vicovaro, à morte do abate, o convidaram a assumir a direção da comunidade. Não conseguiu, porém, a reconduzir esta comunidade a uma vida mais regular, voltou na solidão, a uma vida eremítica. Construiu doze pequenos mosteiros que com o passar do tempo foram todos destruídos, com exceção do atual mosteiro de Santa Escolástica.
Em Subiaco começou a estender a sua Regula em latim vulgar, conforme a exigência espiritual e material dos leigos que queriam te-lo como guia.

Bento se estabeleceu sobre o monte acima da planície do vale do Liri; abateu os altares das falsas divinidades, cortou os bosques sagrados e com assídua predicação conversava com os roçeiros que eram ainda pagãos.
A fama de santidade de S. Bento e de virtude dos seus seguazes logo fez célebre o cenóbio, que recebeu grandes donações do patricio Tertullo e da Gesulfo. Sobre o monte foi um contínuo vai e vem de pobres pessoas para pedir ao taumaturgo ajuda e proteção; de eclesiásticos para pedir conselhos ao santo; de potentes do século, para pedir ao vegente sábios ensinamentos.

A Regula que disciplina a vida interna e externa da comunidade monástica, até o séc. XII durou sem contraste. Ela propõe ao religioso um programa de vida basado na oração e no trabalho, a estabilidade do lugar, a conversão dos costumes e a obediência ao governo patriarcal do Abate.

Mais ou menos quarenta dias após que S. Bento tinha visto a alma da irmã voar ao céu em forma de pomba, comunicou a alguns discípulos o dia da sua morte. Seis dias antes fez abrir o túmulo, depois, com violenta febre, o dia 21 março quis ser conduzido ao oratório.

Depois de ter recebido a Eucaristia, enquanto rezava em pé, entregou o seu espírito a Deus entre os braços dos seus discípulos. O seu corpo foi colocado perto daquele da irmã, no sepulcro que tinha feito preparar debaixo do altar de S. João Batista.

S. Bento foi em várias maneiras tentado pelo diabo e sempre saiu vitorioso. Exortava a fazer o sinal da cruz no coração para ser liberados das sugestões diabólicas.
Com este sinal de salvação, S. Bento se liberou do veneno que alguns maus monjes lhe ofereceram em um recipiente de vidro que continha a mortal bebida. Bento levantou a mão e fez o sinal da cruz. O santo sinal reduziu em pedaços aquele vaso de morte, como se al lugar de uma benção, tivesse sido atirada uma pedra. O episódio, segundo o raconto de S. Gregorio Magno, teve que inspirar as palavras do exorcismo referidas à bebida que é oferecida pelo maligno, assim como a proteção atribuida ao sinal da cruz."

 

 "Em 1957, um grupo de nações europeias ratificava o Tratado de Roma, constitutivo da Comunidade Europeia, que veio dar origem à Comunidade Económica Europeia (CEE). Em 1964, na sagração da Basílica do Mosteiro de Monte Cassino, destruído em 1948, aquando da II Guerra Mundial, o Papa Paulo VI declarou S. Bento como padroeiro da Europa.
Que terá, contudo, a ver com a Europa de hoje um santo do século VI (480-547)? Para o Pe. Geraldo Coelho Dias, beneditino, este santo que escreveu a regra Monástica - com o seu nome - deu origem à Ordem dos Monges Beneditinos, a única na Europa Ocidental anterior ao ano mil e que "chegou activa e viçosa aos tempos modernos". Os beneditinos têm uma trajectória histórica que atravessa os tempos e acompanha, "de forma decisiva, a formação da Europa Ocidental e Cristã". É, sem dúvida, através "da acção dos monges que S. Bento merece aquele título de Padroeiro da Europa".
Os seguidores de S. Bento foram os obreiros das linhas de rumo daquilo que hoje chamamos Europa Ocidental e Cristã. Os seus instrumentos de acção foram a Cruz do Evangelho - que pregaram e sob a qual viveram -, o Livro da Cultura - que conservaram e transmitiram a partir dos seus scriptoria e bibliotecas - e o arado com que arrotearam e lavraram as terras e ensinaram a cultivar. Apesar da vida comunitária no mosteiro, os beneditinos não deixaram de ser apóstolos do Cristianismo e foram, de facto, por missão da igreja, os primeiros evangelizadores e missionários da Europa: S. Vilfrido e S. Bento Biscop na Inglaterra; S. Bonifácio na Alemanha; S. Vilibrordo nos Países Baixos; S. Pirmino nos Alamanos e S. Anscário nos Países Escandinavos.
Era esta a vida segundo a Regra de S. Bento, estabelecida no século VI por Bento de Núrsia, o italiano fundador da Ordem dos Beneditinos e canonizado mais tarde. S. Bento prescrevia para os monges uma vida de pobreza, castidade e obediência, sob a orientação monástica de um abade, cuja palavra era lei. Luís, o Piedoso, imperador carolíngio entre 814 e 840, encorajou os monges a adoptarem a Regra de S. Bento.
A Regra de S. Bento foi formulada quando este era abade de Monte Cassino (no Sul de Itália), abadia fundada em 529 e que continua a ser um dos grandes mosteiros do Mundo. Bento foi o seu primeiro abade e foi ele quem estabeleceu o modelo de auto-suficiência advogado pelas primitivas regras monásticas - dependência total dos próprios campos e oficinas - que orientou durante séculos os mosteiros da cristandade ocidental. Em todos os antigos mosteiros beneditinos, a vida era totalmente comunitária. A rotina diária centrava-se naquilo a que S. Bento chamava "trabalho de Deus" - demorados ofícios de complexidade crescente. Tudo o resto era secundário. O trabalho manual que a regra estipulava existia não só para fornecer aos frades alimentação e vestuário e satisfazer-lhes outras necessidades, como também para evitar a sua ociosidade e lhes alimentar a alma mediante a disciplina do corpo.
Posteriormente, quando as abadias enriqueceram, sobretudo através de doações de fiéis devotos, os dormitórios comunitários foram substituídos por celas individuais e foram contratados trabalhadores para cuidarem dos campos, o que permitiu a muitos monges dedicarem-se a outras actividades, nomeadamente o estudo, graças ao qual a Ordem de S. Bento viria a ser tão justamente célebre.
Nos seus jardins murados, os monges cultivavam ervas medicinais; num dado momento, ocorreu-lhes a ideia de adicionar algumas ervas à aguardente, inventando assim o licor beneditino. Pode parecer estranha esta associação da vida monástica com o luxo das bebidas alcoólicas, mas o vinho foi sempre uma bebida permitida aos Beneditinos. Ligava bem com as suas refeições simples, constituídas essencialmente por pão, ovos, queijo e peixe. Embora a carne fosse proibida nos primeiros séculos, posteriormente algumas abadias adicionaram aos alimentos consumidos aves de capoeira e de caça.
Hoje, 11 de Julho, é dia de S. Bento aquele que Paulo VI chamou "de missionário da Paz, formador da unidade, mestre da cultura e, principalmente, grande promotor da vida cristã e organizador da vida monástica ocidental. Não foi sem razão que Pio XII lhe chamou Pai da Europa. Portanto, consultada a Sagrada Congregação dos Ritos declaramos e constituímos in perpetuum, perante o Deus do Céu, S. Bento como Padroeiro Principal da Europa, com todas as honras e privilégios litúrgicos que pelo Direito competem aos padroeiros principais dos lugares".
Luis Filipe Santos – AE

publicado por emcontratempo às 11:56

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