O desafio dos nossos dias...

07
Ago 14

 

Encontrei ao acaso, divulgo de propósito

 

"A Tia Preta

 
O blog Cocó na Fralda chamou-me a atenção para a Tia Preta, uma senhora que mora em Chelas, um bairro complicado em Lisboa, e que acolhe e cuida de crianças que dela precisam. Há anos que lutava contra um cancro na mama e agora descobriu que tem um tumor inoperável na cabeça. Com o devido crédito, reproduzo aqui o texto que a autora, Sónia Santos, publicou nas Selecções do Reader's Digest, porque acho que não é demais divulgar o trabalho de alguém que só quer o bem para os "seus" meninos.
"«Tia, vou à cozinha comer cereais, está bem?». Lizete Baessa ainda não tinha acabado de dizer que sim, «claro meu querido», quando outra voz atropelou a primeira: «Tia, ela não me deixa brincar…». A tia não perde tempo e apressa-se a chamar Lara: «Então? Porque é que não brincas com o Polho?». Lara explica que o miúdo, minúsculo e com ar de reguila, quer ficar com os brinquedos todos. Lizete admoesta o pequeno, pede que façam as pazes, «Vá, vão lá brincar juntos, vá», e claro que nisto um outro pedido se sobrepõe: «Tia, desculpe interromper… Vou só ali ao escritório buscar baunilha, está bem?» E ainda a tia preta ensaiava um «claro, meu amor» quando uma nova súplica se escutou: «Tia…»
Lizete Baessa tem 57 anos e no seu bairro, em Chelas, ela é a «tia preta». Todos a conhecem assim, todos são seus sobrinhos. A sua casa, o seu T2, que comprou à Câmara Municipal, não é sua, na verdade. É de todos os que queiram entrar. Mas não é só entrar. Não é só entrada por saída. A sua casa está aberta para tudo o que se queira. As crianças são livres de chegar de manhã, de tarde, de noite. De comer, tomar banho, ver televisão, fazer os trabalhos de casa, passar a noite. As crianças podem ter mãe e pai mas são, todas elas, os seus meninos. «São os meus meninos, sim. A partir do momento em que entram em minha casa, os miúdos são meus. Os filhos são deles, dos pais deles, mas os miúdos são meus.»
A tia preta vive há 15 anos no bairro de Chelas. Uma zona degradada onde os problemas sociais gritam em cada porta, em cada janela, em cada família. Lizete chegou há 15 anos e não tardou a fazer amigos. Um rapaz ajudou-a a montar a mobília, ela em troca oferecia-lhe comida. Daí a conhecer a irmã foi um instante. E a irmã tinha um bebé de um ano, o Pipo, a quem de imediato ganhou afeição. «Dá-me o teu menino», dizia Lizete à mãe, com o sorriso grande que é a sua marca. Certo é que o Pipo começou a frequentar a casa como quem frequenta a creche. Todos os dias. E depois dele, a irmã, Liliana. E por arrasto os outros, do prédio, das casas do lado, das ruas de trás. Pipo tem hoje 15 anos. Continua a entrar na casa da tia preta como quem chega ao seu próprio lar. Ele, a irmã, e todos os miúdos que se sentem ali melhor do que na casa onde vivem os familiares.
E, no entanto, não é bem como quem entra na sua própria casa. Muitos destes miúdos têm tudo para ser problemáticos. Muitos deles nasceram e vivem em famílias disfuncionais. Muitos terão comportamentos agressivos, muitos poderão ser revoltados, muitos serão como um pé-de-vento nas suas casas. Mas nada disso se nota, nada disso se sente na casa da tia preta. Ali há um respeito que é raro. Todos, dos dois aos 17 anos, pedem «por favor», todos dizem «obrigado», «com licença», ninguém levanta a voz. Se a tia preta diz não, é não. Se a tia preta diz sim, é sim. Naquela casa, têm todos uma educação tão esmerada que parecem fazer parte da mais nobre das famílias. O respeito nota-se até no modo como olham Lizete, um misto de ternura, gratidão e deferência.
«Aqui há regras. Eles respeitam-nas e não é preciso muito. Todos sabem o que fazer, todos sabem como funciona a casa, todos ajudam, como numa família. Claro que às vezes me zango. Tenho ali a ‘sete e quinhentos’ para me ajudar, e o banco do mocho. Qual é a casa onde uma mãe não se zanga com os seus meninos?» A «sete e quinhentos» é uma colher de pau que, apesar de nunca ter tido uso, serve de ameaça séria sempre que alguém foge da linha. O «banco do mocho» é uma pedra que existe à porta de casa, para onde vai quem se porta mal e tem de ir pensar na vida.
A partir das cinco da tarde e até à uma da manhã, a casa de Lizete Baessa é uma verdadeira instituição. Os miúdos começam a chegar da escola e vão ficando. Uns lancham, fazem os deveres e vão embora, outros jantam, outros ficam para dormir. Nunca se sabe. Às vezes, também vêm almoçar. «Ligam da escola a dizer que não gostam do almoço. Perguntam se podem vir comer umas salsichas. Claro que podem. Há sempre comida para mais um.» Para tudo isto, Lizete não conta senão consigo. E com a ajuda de quem, de repente, se lembra dela e da sua «obra» e lhe traz arroz, açúcar, massa, salsichas, atum. De resto, é ela quem gere a casa e os seus meninos. Tudo o que ganha vai para esta família alargada. E a vida, ainda por cima, não quis ser meiga para com ela.
Há quatro anos, esta ex-secretária teve de deixar de trabalhar porque teve de ser operada a uns pólipos que lhe apareceram nos intestinos. Ela não sabe se era o corpo a dar o aviso para algo pior. A verdade é que, dois anos depois, estava no duche, a cantar, como sempre, e de repente calou-se. E assim ficou, calada, com três mamas em vez de duas. Lizete soube imediatamente. «Pensei: estou feita. Percebi logo. Fui à médica de família no dia seguinte de manhã. E passado muito pouco tempo estava no IPO [Instituto Português de Oncologia]. Fui muito bem tratada. O meu carcinoma no peito media 7 centímetros. Estive um ano a fazer sessões de quimioterapia, para o reduzir. Depois fui operada, fiz 36 sessões de radioterapia, e agora continuo com a quimio, duas vezes por mês. Vamos ver… Está estável.»
Quando chegou ao IPO só pediu que não lhe escondessem nada: «Disse: senhor doutor, eu vivo sozinha numa casa cheia de crianças. Preciso de saber o que vai ser de mim, para os poder reunir e explicar.» E assim foi. Nesse dia, há dois anos, reuniu os seus meninos. E colheu reacções fabulosas. A reacção que mais a comoveu foi a dos que fugiram: «Houve um grupo que desapareceu. Disseram: ‘A tia vai morrer. Vamos ficar sem a tia’. E não quiseram esperar para ver. Não quiseram assistir a esse abandono. Foi o modo que tiveram de negar mais um sofrimento, mais uma perda nas suas vidas. Fugiram. Negaram-se a serem deixados. Comoveu-me isto. Mas eu cá continuo! E tenciono continuar!»
Continua e garante que são os seus meninos quem lhe dá força. «Acho que se não os tivesse não estaria aqui, cheia de energia, como se isto do cancro não fosse nada comigo. No dia em que vim do hospital, eles encheram-me a casa, como sempre, e não me deixaram ir à cama. Eles não me deixam parar, sabe minha querida? São a minha alegria. São a minha vida.»
Na casa do lado, vive Pedro. O tio Pedro. É ele que a apoia. É ele quem entra, enquanto a conversa decorre (interrompida mil vezes pela palavra «tia» suplicada por uma voz infantil), para levar roupa para secar. Roupa dos meninos, claro, que ali – como em qualquer casa onde vivem crianças – também se trata das roupas. «Dantes, quando eu tinha loiça em vidro, eles às vezes partiam um prato, um copo. E lá iam a correr bater à porta do tio Pedro para pedir que lhes arranjasse um prato dos seus, um copo dos seus, para eu não me zangar. Coitado! O desgraçado ficou sem serviço. E eu aprendi a lição: agora tenho um serviço de plástico! Mas acredita que também se parte?»
O tio Pedro tem a chave da casa da tia preta. As regras estão definidas. A tia sai e deixa a chave na porta ao lado. Quem chegar primeiro (ela ou uma das muitas crianças) apanha a chave e entra em casa. Às vezes é Lizete quem chega primeiro, outras vezes quando entra já lá está um, dois, dez, vinte. «No Verão chegamos a ser 25 à mesa. Faço uma grande tachada de frango frito ou salada russa. E comemos. E somos felizes. Eles falam comigo sobre tudo o que querem. Às vezes dizem: ‘Tia, preciso falar-lhe’. E eu só pergunto: ‘A sós ou falamos aqui todos?’ E às vezes eles dizem: ‘Hoje é só com a tia’. E eu oiço, dou conselhos, carinho… o que eles precisam. Sobre os pais não sei nada. Não quero saber. Não sei se ganham 100, 200, não sei nem me interessa se ganham mais do que eu. A mim interessam-me os miúdos. É por eles que eu quero fazer alguma coisa. É a eles que eu quero deitar a mão. Segurar. Ter em casa, debaixo de olho.»
A verdade é que ali estão entre iguais. A verdade é que ali têm regras. Têm alguém que lhes pergunta pela escola, pelos trabalhos de casa, pelos testes. Alguém que puxa as orelhas na hora certa. E aplaude quando deve de ser. Alguém que dá comida e colo e limpa o rabo. «Só gostava de ter uma casa maior, para receber mais meninos, ou os mesmos mas com outras condições. E, claro, se pudesse ter mais vezes carne e peixe para lhes dar…». Lizete não tem ajudas. Ou tem, pouquinhas. «Ainda agora fui fazer um contrato com a EPAL… recebi uma factura muito alta para pagar e tive de combinar um pagamento a prestações…», sorri. «O que é que eu hei-de fazer, minha querida? O que é que eu hei-de fazer?»
Fábio tem 16 anos e já perdeu a conta aos anos que frequenta a casa da tia preta. «Essa tia é uma senhora exemplar. Porque nos acolheu, porque nos acolhe, porque nos dá a mão. Porque não nos deixa ficar mal, e podemos contar sempre com ela.» Com ela, com o seu colo, com o seu sorriso. Lizete Baessa é a tia preta. É a mãe (ela que nunca foi mãe de verdade, no sentido de transportar um bebé no ventre), é o pai, é a família que muitos não têm. E que outros têm, mas que só debaixo da sua asa parecem encontrar a paz para poderem aprender a voar. "
Para quem quiser, e puder, levar alguma coisa, a morada da Tia Preta é Rua Ricardo Ornelas, 375, R/C dto. Bairro da Flamenga Chelas. 1950-331 Lisboa
A associação da Tia Preta chama-se Pêndulo da Vida e o NIB para quem quiser ajudar é: 0033 0000 45393107461 05."
publicado por emcontratempo às 11:42

27
Set 11

 :smiley-dubitatif:

"É mais fácil conquistar um coração do que satisfazê-lo."

publicado por emcontratempo às 10:39

09
Ago 10

 

 

" O coração novo, indispensável à paz, é o coração habitado pelo amor."

Cardeal António Ribeiro

publicado por emcontratempo às 10:10

02
Ago 10

 

 

" O coração do homem dispõe o seu caminho, mas ao Senhor pertence dirigir os seus passos."

 

Prov. 16,9

publicado por emcontratempo às 12:40
tags:

15
Jan 10

 

"Para onde o coração se inclina o pé caminha".

publicado por emcontratempo às 10:55

 

"Não permitamos que o nosso coração seja escravo, senão daquele que o adquiriu com o seu sangue."

Santa Teresa de Ávila

publicado por emcontratempo às 10:53

13
Nov 09

 

 

 

"Não faças nada a ninguém sem amor, mas faz tudo a todos com inteligência e coração."

publicado por emcontratempo às 12:44

20
Jun 09

 fat3-2.jpg

 

Imaculado Coração de Maria,

nossa terna Mãe,

rogai a Jesus por nós,

Vosso Supremo Bem!!!

 

Imaculada Virgem Mãe de Deus,

rogai a Jesus por nós!

 

Imaculada Virgem Mãe de Deus,

rogai a Jesus por nós!

 

Imaculada Virgem Mãe de Deus,

rogai a Jesus por nós! 

publicado por emcontratempo às 23:51

19
Jun 09

 

 

Oh Jesus, Divino Sacerdote, velai pelos nossos sacerdotes,para que cheios da Tua Graça nos ajudem a aderir cada vez mais ao doce banquete da Tua Palavra e da Eucaristia e assim vivermos melhor na caridade e união fraterna, amen.

 

 

 

Todos os fiéis deveriam assistir, neste dia, à Eucaristia, comungando pela intenção de Reparação do Sacratissímo Coração de Jesus!

 

 


 
 

Coração Sagrado de meu amado Jesus: eu, ainda que vilíssima criatura, vos dou e consagro a minha pessoa, vida e acções, penas e padecimentos, confiando que nenhuma parte de meu ser me sirva, se não for para amar-vos, honrar-vos e glorificar-vos.

Esta é minha vontade irrevogável: Ser todo vosso e fazer tudo por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto possa desagradar-vos.
Vos tomo, pois, oh! Coração Divino, pelo único objecto do meu amor, protector da minha vida, prenda da minha salvação, remédio da minha inconstância, reparador de todas as culpas da minha vida; e asilo seguro na hora da minha morte.
Sede, pois, oh! Coração bondoso, minha justificação para com Deus Pai, e afastai de mim os raios de sua justa cólera.
Oh! Coração amoroso, ponho toda a minha confiança em Vós, pois ainda que temo tudo de minha fraqueza, sem dúvida, tudo o espero de vossa misericórdia. Consumi em mim tudo o que vos desagrada e resiste, e fazei que o vosso puro amor se imprima tão intimamente no meu coração, que jamais chegue a esquecer-vos nem a estar separado de Vós.
Vos suplico que, por vossa mesma bondade, escrevais o meu nome em Vós mesmo, pois quero ter cifrada toda a minha sorte em viver e morrer como vosso escravo. Amém
 

Nas contas grandes:

 
Lembrai-Vos, oh! misericordiosíssimo Jesus que sois um com o Pai bondosíssimo e cheio de ternura para com os seus filhos, certo de Vosso infinito amor, eu me entrego ao Vosso Coração, onde encontro a força, a perseverança, a paz, a alegria e a doce confiança em minhas súplicas, segundo Vossas palavras:
“Pedi e recebereis... Buscai e achareis... Batei e abrir-se-vos-á...”
Eu bato, procuro e peço esta graça que me é tão necessária (...) , tudo para maior glória de Deus e bem de Vossos filhos. Amém.
 
Nas contas pequenas:

Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Vós!

  

300 dias de indulgência plenária nas condições habituais
a quem recitar esta invocação diariamente durante um mês

 

 

Dadas a Santa Margarida Maria Alacoque:

  1. A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem do meu Sagrado Coração.
  2. Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias ao seu estado.
  3. Estabelecerei e conservarei a paz nas suas famílias.
  4. Eu os consolarei em todas as suas aflições.
  5. Serei o seu refúgio seguro na vida, e principalmente
    na hora da morte.
  6. Lançarei bênçãos abundantes sobre todos os seus trabalhos e empreendimentos.
  7. Os pecadores encontrarão em meu Coração uma fonte inesgotável de misericórdias.
  8. As almas tíbias tornarão-se fervorosas pela prática dessa devoção.
  9. As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.
  10. Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais empedernidos.
  11. As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes inscritos para sempre no meu Coração.
  12. A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna. "

    www.paternoster.blogs.sapo.pt

     
     
    Doce Coração de Jesus,
    plenitude de todos os dotes,
    imploramos-Te, Senhor,
    Abençoa os sacerdotes.
    Enche-os do Teu Amor,
    culmina-os de virtudes,
    revigora-lhes a fé,
    que pelos seus ensinamentos
    caminhemos com fervor,
    para Ti, Pai e Senhor!
     
    manomero 29
     
     
publicado por emcontratempo às 07:53

Setembro 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO