O desafio dos nossos dias...

26
Dez 12

 

 

Resolvi copiar pois toca-me o coração...

 

"Levantar cedo, que é dia de Natal! Dia de beijar o pé do Deus menino na Igreja, beijá-lo ao lado do enorme presépio, cuidadosamente feito pelos garotos da minha idade. Era assim em São Vicente, minha terra natal. Tempos saudosos em que freqüentava a Escola Primária. Ela, da Igreja, só distava uma estrada empedrada. Cedinho, me erguia da cama para me deslocar célere, a pé, empolgado e com o coração cheio de alegria e pureza, a fim de beijar o rosado pé divino, feito em barro, privilégio que os meus conterrâneos disputavam, esticando o pescoço franzino até aos limites do suportável, para serem os primeiros beijoqueiros.

A perfumar a memória da nossa existência, ficam estas recordações de pureza e candura, amaciadoras das agruras da vida e das suas peripécias atribuladas, algumas das quais riscam e amolgam o coração. A vida está cheia de ciladas insidiosas, onde menos se espera e a falta de prudência ou o desconhecimento da sabedoria mais profunda, à mistura com alguma tontaria propositada, quantas vezes nos prejudicam e devastam.
O Natal é, além de um dia de festa, de confraternização quase universal, o dia da Criança bafejada pelo espírito divino. Porque é ela, a Criança, o centro de atenção e afeição dos adultos. A pretexto do nascimento de Jesus menino, em Belém, ou como sua conseqüência e seqüência ininterrupta, revemos uma inspiração de nível planetário: são todos os meninos unificados nEste, e as prendas que lhes oferecemos são também um tributo coletivo a Ele, nascido na manjedoura, e nós somos os Reis magos, todos ligados por um cordão umbilical acrônico e utópico.

É este é o dia em que meditamos sobre a nossa própria meninice, memória sempre renascida... é ocasião de revermos o projeto que, mal temperado no início, condimentado o bastante com as vivências dos nossos erros e dos nossos sucessos, traçamos para o nosso percurso terreno, a nossa efêmera e incerta viagem neste planeta, que nos acolhe transitoriamente numa prova de humanidade, bem ou malsucedida.

Jesus Cristo veio à terra numa missão necessária e urgente: indicar o caminho da redenção. Sem meditarmos de vez em quando na sua mensagem, corremos o risco de nos afastarmos da harmonia universal, esta que nos auxilia no convívio e na parceria com e entre os nossos semelhantes.
Este halo mágico de espiritualidade, a percutir emocionalmente nas comunidades das Nações cristãs, vivi-o junto de outros povos, especialmente em Paris e Londres, numa idade ainda de jovem. Lá, como cá, as ruas e avenidas fervilhavam de vida, resplandeciam de luz, brilhavam de deslumbre, a comemorar o dia mais feliz do ano; este que celebriza o espírito da encarnação.

Já nessa altura os brinquedos e os bolos eram expostos ao consumidor da forma mais fantástica e radiosa, apelativos aos transeuntes, a solicitar a tentação da compra irresistível.
Trocávamos, nos dias antecedentes, postais ilustrados, alusivos à quadra festiva, autênticas obras- de- arte com mensagens poéticas, algumas originais, pessoais.

Natal é, repito-o, o Dia da Criança simbolizado no menino Deus. O dia em que todas as crianças são uma só Criança, unificadas num menino Jesus coletivo.

Por isso, em homenagem a este dia, vos historio o que se segue:
Adoro as ruas, as avenidas, os quelhos, as praças da nossa cidade. Em dias de festa, por elas deambulo para observar o ambiente artesanal, arquitetônico, escultórico e humano, ou seja, reparar bem nas pessoas de todos os tamanhos, distinguir os ornamentos de todas as épocas, valorizar a azáfama de todas as dinâmicas, diferenciar os matizes de todas as cores, odores e auscultações, fixar as montras de todos os tamanhos e recheios. Vai fazer um ano, percorria uma rua e deparei, de repente, com uma pobre criança, rota e suja, a observar uma vitrina de bolos de chocolate, resplandecentes pela luz incidente. Eram bolos castanhos, brilhantes, frescos, apetecíveis que faziam crescer água na boca. E a criança ali estava pespegada, imóbil, como uma estaca. Não arredava pé de tanto desejo, certamente salivava de apetência descontrolada.

Olhei- a e abeirei- me dela. Perguntei-lhe se queria escolher algum.
Que sim, e escolheu. Levei-o ao interior da confeitaria, pedi-lhe para escolher mais alguns e comprei--os. Dei-lhos,com a embalagem. Ele sorriu, um sorriso enorme, franco, fascinante, do tamanho do Universo:
- Não me agradeças, porque sou eu quem te vai pedir um favor! No dia de Natal, vais beijar o pé do menino Jesus à primeira missa do dia, na Igreja mais próxima
- Está bem, não me vou esquecer .
E continuei a minha deambulação. Era uma rua comercial, engalanada por todos os ornamentos e enfeites adequados à quadra festiva. Uma rua com arcos e ogivas e muitas lâmpadas coloridas incandescentes. Da rua saía uma auréola de energia luminosa que impedia de se verem as estrelas; não era preciso esticar o olhar para o céu, elas estavam ali na rua. As montras exibiam artigos variados de consumo, lindos, apelativos, acantonando, a cada passo, um presépio feito com esmero e beleza. Resplandecente, sobre as palhas da manjedoura, o menino era aquecido pelo jumento e pela vaca. Maria e José olhavam-no embevecidos.

No dia de Natal de há um ano, lembrei-me daquele menino vadio, que, como eu, quando era criança, beijou o pé de alguém, que morreu na cruz para nos dar um exemplo da purificação da alma.

E este ano, antes do dia mais caloroso e espiritual do ano, continuarei, à semelhança de todos os anos anteriores, a observar as ruas com a esperança de que aconteça algo tão emocionante como o que vos contei neste episódio que não difere muito do nosso dia- a- dia ... Apesar de tudo o que possa surgir, ficarei mais empolgado, se outro cenário e cena mais belos acontecerem, como, por exemplo, deixar de ver crianças esfomeadas a olhar vitrinas opulentas, pela simples razão de que deixou de haver fome neste mundo, neste que todos compartilhamos, sem até agora termos sobre ele uma consciência global!"

  

                       Desconheço o autor"

publicado por emcontratempo às 12:31

31
Jan 11

 

 Um grupo de jovens licenciados, todos bem sucedidos nas carreiras, decidiram fazer uma visita a um velho professor da faculdade, agora reformado.
 
Durante a visita, a conversa dos jovens alongou-se em lamentos sobre o imenso stress que tinha tomado conta das suas vidas e do seu trabalho.
 
O professor não fez qualquer comentário sobre isso e perguntou se gostariam de tomar uma chávena de chocolate quente.
Todos se mostraram interessados e o professor dirigiu-se à cozinha, de onde regressou vários minutos depois com uma grande chaleira e uma grande quantidade de chávenas, todas diferentes - de fina porcelana e de rústico barro, de simples vidro e de cristal, umas com aspecto vulgar e outras caríssimas.
Apenas disse aos jovens para se servirem à vontade.Quando já todos tinham uma chávena de chocolate quente na mão, disse-lhes-
 
Reparem como todos escolheram as chávenas mais bonitas e dispendiosas,deixando ficar as mais vulgares e baratas... Embora seja normal que cada um pretenda para si o melhor, é isso a origem dos vossos problemas e stress.
A chávena por onde estais a beber não acrescenta nada à qualidade do chocolate quente.
Na maioria dos casos é apenas uma chávena mais requintada e algumas nem deixam ver o que estais a beber. O que vós realmente queríeis era o chocolate quente, não a chávena; mas fostes conscientemente para as chávenas melhores...Enquanto todos confirmavam, mais ou menos embaraçados, a observação do professor, este continuou:
 
- Considerai agora o seguinte: a vida é o chocolate quente; o dinheiro e a posição social são as chávenas.
Estas são apenas meios de conter e servir a vida.
A chávena que cada um possui não define nem altera a qualidade da vossa vida.
Por vezes, ao concentrarmo-nos apenas na chávena acabamos por nem apreciar o chocolate quente que Deus nos ofereceu.
As pessoas mais felizes nem sempre têm o melhor de tudo, apenas sabem aproveitar ao máximo tudo o que têm.
Vivei com simplicidade.
Amai generosamente.
Ajudai-vos uns aos outros com empenho.
Falai com gentileza.
E apreciai o vosso chocolate quente."
enviado por mail
publicado por emcontratempo às 11:29

24
Out 09

 

 

Em tempos, era aqui que se mudava de calçado para ir para a missa ou para a festa.

Explicando melhor, as mulheres é que se davam a esse trabalho.

Como viviam longe e o caminho era de terra batida, estragava mais o calçado.

A necessidade exigia poupanças porque tudo era caro e os ganhos poucos.

Traziam calçado mais velho para que o novo durasse mais.

Era então aqui, detrás do portão do tio Leal que faziam as trocas.

Calçava-se as meias e sapatos melhores.

Os outros, ficavam por ali, num canto ou então presos nos bicos do portão.

Até que viessem da missa e fôssem novamente trocá-los.

Assim acontecia, em tempos idos.

Hoje, pode parecer estranho, mas naquela época era normal.

Coisas de antanho que convém anotar.

É que hoje, não há a noção do valor dos gastos.

Há muito boa gente que gasta e gasta porque não doeu a ganhar.

Essa gente nunca saberá poupar.

E o que vier a adquirir nunca terá o sabor daquilo que se adquiria.

Pois tudo o que se tinha era muito suado, assim dizia meu pai.

Queria então dizer "trabalho muito, para ter pouco".

Tempos difíceis que hoje poucos sabem avaliar.

peregrina 2009.10.24

publicado por emcontratempo às 22:38

19
Mar 09

 

 

 

Filhos, olhai carinhosamente pelos vossos Pais, um dia sereis Pais e ides ver, sentir o sofrimento da solidão, como paga de todo o bem que fizestes, pensai nisto:

 

Há muito tempo num país distante, um homem, vendo que seu pai já era velho e não podia trabalhar, resolveu livrar-se dele.

Assim, num certo dia de Inverno, pegou numa manta e numa broa e convidou o pai a acompanhá-lo até ao cimo de um monte.

Chegado lá, o filho disse ao pai que não o podia alimentar e que, por isso, ali o deixava.

o pai de lágrimas nos olhos, pela tristeza de se ver assim tratado pelo filho, ainda teve forças para lhe perguntar:

- Filho, não trazes, por acaso, uma faca?

- Para que a quer, meu pai?

- Olha, filho, lembrei-me de cortar esta manta e esta broa ao meio para que leves uma parte para casa.

- Para quê pai? - perguntou o filho, intrigado com a atitude do velho.

- É para o teu filho te dar quando fores velho como eu e já não puderes trabalhar...

O filho olhou o pai e, compreendendo a lição que este lhe dera, chorou de arrependimento e trouxe-o de novo para casa, onde o tratou com carinho até à hora da sua morte.

 

(uma história antiga da qual pudemos e devemos tirar as devidas ilações).

 

E já agora o velho ditado:

"Filho és e pai serás assim como vês, assim farás"

 

 

publicado por emcontratempo às 15:10

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