O desafio dos nossos dias...

06
Fev 12

 

 

Pai, como não reunir na nossa oração

a humanidade inteira...

mas permite, Senhor, que Te apresente

uma intenção especial pelas pessoas sem voz.

 

Há milhares e milhares de homens e mulheres

nos países pobres

e nas zonas pobres dos países ricos,

sem o direito de erguer a voz,

sem possiblidades de reclamar, de protestar,

por justos que sejam os seus direitos.

 

Os sem casa, os sem alimento,

os sem vestuário, os sem saúde,

os sem mínimo de educação,

os sem trabalho, os sem futuro,

os sem esperança,

correm o perigo de cair no fatalismo,

desanimam, perdem a voz,

tornam-se os sem voz.

 

D. Helder da Câmara

(in calendário da LIAM, missões)

publicado por emcontratempo às 02:23

03
Ago 10
"O Miúdo

 

Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem
afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que
dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns bugs de programação num
sistema que estava a desenvolver, além de planear a minha viagem de férias,
coisa que há tempos que não sei o que são.

Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e um sumo de
laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime não é?

Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:

- Senhor, não tem umas moedinhas?

- Não tenho, menino.

- Só uma moedinha para comprar um pão.

- Está bem, eu compro um.

Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail.

Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, rindo com as piadas
malucas.

Ah! Essa música leva-me até Londres e às boas lembranças de tempos áureos.

- Senhor, peça para colocar margarina e queijo.

Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali.

- Ok. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muito ocupado, está
bem?

Chega a minha refeição e com ela o meu mal-estar. Faço o pedido do menino, e
o empregado pergunta-me se quero que mande o menino ir embora.

O peso na consciência, impedem-me de o dizer.

Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição
decente para ele.

Então sentou-se à minha frente e perguntou:

- Senhor o que está fazer?

- Estou a ler uns e-mail.

- O que são e-mail?

- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet (sabia que
ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de questionários
desses):

- É como se fosse uma carta, só que via Internet.

- Senhor você tem Internet?

- Tenho sim, essencial no mundo de hoje.

- O que é Internet ?

- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas,
notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar,
aprender. Tem de tudo no mundo virtual.

- E o que é virtual?

Resolvo dar uma explicação simplificada, sabendo com certeza que ele pouco
vai entender e deixar-me-ia almoçar, sem culpas.

- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar, apanhar,
pegar... é lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer.
Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos
que fosse.

- Que bom isso. Gostei!

- Menino, entendeste o significado da palavra virtual?

- Sim, também vivo neste mundo virtual.

- Tens computador?! - Exclamo eu!!!

- Não, mas o meu mundo também é vivido dessa maneira...Virtual.

A minha mãe fica todo dia fora, chega muito tarde, quase não a vejo,
enquanto eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e
eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa, a minha irmã mais velha sai todo
dia também, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, porque ela volta
sempre com o corpo, o meu pai está na cadeia há muito tempo, mas imagino
sempre a nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos
de natal e eu a estudar na escola para vir a ser um médico um dia.

Isto é virtual não é senhor???

Fechei o portátil, mas não fui a tempo de impedir que as lágrimas caíssem
sobre o teclado.

Esperei que o menino acabasse de literalmente 'devorar' o prato dele,
paguei, e dei-lhe o troco, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros
sorrisos que já recebi na vida e com um

'Brigado senhor, você é muito simpático!'.

Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que
vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e
fazemos de conta que não percebemos!

Agora, tem duas escolhas...

1. Enviar esta mensagem aos amigos e amigas ou

2. Apagá-la, fingindo que não foste tocado por ela!!!

Como podes ver, escolhi a nº1."

www.portonovo.blogs.sapo.pt

publicado por emcontratempo às 16:37

26
Fev 10

 

 

 

Não há miséria mais verdadeira do que a falsa alegria.

publicado por emcontratempo às 13:23

15
Jan 10

 

 

Quantas vezes, fingimos estar tudo bem.

Quantas vezes não querendo inquietar nos calamos.

Ficamos sofrendo por dentro.

Ficamos encobrindo amarguras.

Para não sermos sobrecarga.

Quantas vezes, acompanhados, estamos sós...

... tão sós.

Quantas vezes gerimos o "pouco" que temos.

Tantas vezes , muitas vezes, quase sempre...

enfim...

peregrina2010.01.15

 

asinhas  brancas

Casinhas brancas por fora,

por dentro - tristes, escuras. 

Ai de quem ri de quem canta,

para encobrir amarguras...

 

Verdes heras nas paredes,

na arca - míngua de pão.

E não parece, não vedes?

- Quem lá mora é pobrezinho

mas tem sua presunção...

 

Rubros cravos à janela,

no lar, - nem cibo de lenha.

Olhai esta, vinde vê-la

- que sou eu cantando e rindo

como quem mágoas não tenha...

 

... casinhas brancas por fora!

Nunca o mundo saberá

quando nalgumas se chora

e, como nelas não entra,

o luto que em muitas há..."

 

tirado dum almanaque antigo - (do livro inédito "Vinte anos"=

Pimentel Caxide)

 

publicado por emcontratempo às 16:23

31
Dez 09

 

 

CADA COR SEU LINK ... O RESTO MANTÉM-SE IGUAL HÁ QUASE 150 ANOS
 

O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce. O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
Eça de Queiroz

 
Junho de 1871
in simecqcultura.blogspot.com
publicado por emcontratempo às 14:55

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