O desafio dos nossos dias...

01
Nov 14

Ía pedir Pão-por-Deus

em criança,

que alegria.

Pedia de casa em casa:

- Pão por Deus, Pão por Deus

Por alminha dos seus,

agradecia.

 

Numa bolsinha bem bonita

que me fez a minha mãe

Vinha cheia abarrotar.

Castanhas, biscoitos, batata doce,

milho e favas torradas também,

P'ra depois saborear.

 

Hei-de dar por alma dos meus

às crianças que vão pedindo:

- pão por Deus, por alma dos seus!

Vou entregando e sorrindo.

 

E a quem agora é velhinho,

sempre que posso visito,

e neste dia em especial

Se não lhes der bombons ou doces

Ao menos dou-lhes carinho.

 

Bom Pão por Deus!

 

peregrina nov 2014

publicado por emcontratempo às 18:21

01
Nov 13

 

 

 

 

Na nota pastoral, o Bispo de Angra, D. António de Sousa Braga, lembra que este ano não é feriado mas a Igreja continua a celebrar o dia de Todos os Santos, 1 de Novembro.

“Como é um dia normal de trabalho isso vai dificultar a manutenção da linda tradição que é o Pão por Deus”, refere o prelado açoriano que convoca todas as paróquias para “em diálogo com a escolas” não deixarem morrer esta tradição.

“Nada impede que essa tradição, muito sentida e vivida nos Açores, passe para o Domingo seguinte. É só experimentar”, acrescenta o Bispo de Angra na nota pastoral.

O Pão por Deus é uma “tradição muito viva” nos Açores, impulsionada pelas escolas católicas e que está a ser recuperada como uma tradição cultural pelas escolas do ensino público regional, sobretudo as do ensino básico.

Este ano o dia 1 de Novembro coincide com uma sexta-feira e, pela primeira vez, em muitos anos, não será feriado. Este ano até coincide com o debate do Orçamento de Estado para 2014.

A data foi um dos feriados religiosos que desapareceu do calendário português na sequência do acordo entre o Executivo e a Santa Sé, depois de ter sido subscrito em sede de concertação social.

O Governo já admitiu poder rever este feriado em 2018. O outro feriado religioso cortado é o do Corpo de Deus, assinalado 60 dias após a Páscoa.

 

DESDE 1756

 

A tradição do Pão Por Deus remonta a 1756, um ano depois do sismo que devastou Lisboa. A pobreza que atingia a capital agravou-se com a destruição provocada pelo abalo de terra e um ano depois os lisboetas saíram à rua para pedirem Pão por Deus para “matar” a fome.

Nas décadas de 60 e 70, por imposição da ditadura do Estado Novo, o Pão Por Deus só podia ser pedido por crianças, menores de 10 anos e, apenas, até ao meio dia.

Pão, frutos secos e agora guloseimas é o que costuma ser pedido pelos mais novos que, inclusivamente, se arranjam com sacos bem decorados para irem para a rua pedir.

Hoje, o Pão por Deus mistura-se um pouco com uma outra tradição pagã, Halloween, importada dos países anglo saxónicos e introduzida no país pelos professores de inglês. A noite das bruxas leva à rua centenas de crianças que pedem guloseimas. Só que ao contrário das doçuras ou travessuras, no Pão Por Deus, tradição católica, as crianças pedem e se por acaso nada lhes é oferecido não ripostam com qualquer travessura.

O Pão por Deus, juntamente com as romarias aos cemitérios para depositar flores (crisântemos) nas campas, é um dos hábitos do 1º de Novembro, dia que a Igreja Católica celebra como o Dia de Todos Os Santos.

De acordo com a Enciclopédia Católica, este dia “destina-se a honrar todos os santos conhecidos e desconhecidos” e começou a ser praticado no século II, em homenagem aqueles que, de entre os seus, haviam sido perseguidos e martirizados e que partiram para o Céu, para junto de Jesus.

A comemoração regular deste dia só começou a ser feita, no entanto, a partir de 610 por decisão do Papa Bonifácio III, e a definição específica do dia 1 de Novembro só se fixou um século mais tarde, no Pontificado de Gregório III.

Da liturgia deste dia importa lembrar que “Não é só por causa do seu exemplo que veneramos a memória dos bem-aventurados, mas ainda mais para que a união de toda a Igreja no Espírito aumente com o exercício da caridade fraterna”.

www.jornaldapraia.com

 

publicado por emcontratempo às 12:45

01
Nov 08

 

Dia de Todos os Santos,

que junto de Deus estão.

Também nossos pais e avós?!

Oh Senhor, dai-lhes perdão,

e dai-nos a consolação,

d'os teres perto de Vós.

 

Batem à porta?!...

São crianças!...

São grupos de crianças que saem à rua, a pedir Pão-por-Deus.

Pão-por-Deus, por alminha dos seus, dizem elas, enquanto as mais pequeninas olham ansiosas ao que se lhes vai meter nas bolsinhas carinhosamente confeccionadas, pelas mãos habilidosas das avós.

 

Crianças batem às portas,

e vamos logo abrir,

vem pedir Pão-por-Deus,

alegres e a sorrir.

 

Alegria baila lá fora.

São crianças, é só ver.

Vêm sempre, a toda a hora

Par'as bolsinhas encher.

 

E, eis que lá vai uns bombons, um chocolate, um ou outro biscoito caseiro, guloseimas e moedas...

 

No meu tempo, a mesma alegria das crianças, as bolsinhas em maior número, havia mais criançada cá na aldeia.

 

Percorríamos os Toledos de lés-a-lés, e trazíamos as bolsinhas também cheinhas de castanhas, maçarocas de milho, milho torrado envolvido em açúcar, favas torradas, uma ou outra manderina, fruto começado a amadurecer na época, biscoitos caseiros, mais raros eram os bombons, a não ser os rebuçados caseiros feitos com açucar, água e um pouco de vinagre, e algumas magras moedas.

 

Dia de Pão-por-Deus,

por alma dos falecidos,

os meus, os nossos, os teus,

os nossos entes queridos.

 

São bombons e gulodices,

para a quadra festejar.

Por alminha dos seeeeus, dizem eles.

Correm, não podem esperar.

 

Correm e não se cansam,

por todo o lado vão,

uns corricam, outros dançam,

todos alegres estão.

 

Pão-por-Deus por alminha dos seus, dizem eles, ao que nós respondemos, que assim seja.

 

E lá vão elas, as crianças todas contentes, de sacolas cheias.

Hoje um pouco diferente de ontem, mas o espírito é o mesmo e alegria impera naqueles rostinhos alegres, a pedir de porta em porta.

 

Alegria baila lá fora,

são crianças é só ver.

Como tu e eu, outrora,

pedem: Pão-por-Deus,

por alminha dos seus.

E nas suas bolsinhas cai

a doce esmola, aí vai.

 

Por alma dos nossos damos,

com alegria e bom grado,

o dia de Todos-os-Santos,

é por nós partilhado.

A entrega da esmola

às crianças, na sacola.

Que assim seja! é o brado.

 

E eis que neste gesto singular,

nesta partilha,

entre mais novos e mais velhos,

entre sorrisos, doces e bençãos

nos vem a consolação,

é o puro sorriso de Deus

que irradiante, brilha,

naqueles rostos inocentes.

 

Pão-por-Deus,

por alminha dos seus.

Que assim seja, hoje e sempre!

publicado por emcontratempo às 10:37

Maio 2021
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO