O desafio dos nossos dias...

18
Fev 13

 

  

... sim, voltei novamente.

fui até a ti, minha estrelinha!

quero ver daqui, a Terra-mãe...

ver como os homens te tratam.

Oxalá eles percebam,

o teu valor,

a tua magia,

tu que poderias sustentar a todos

se ele, o homem quisesse.

sim.

estás à distância dum sim

de boa vontade universal.

Uma divisão equitativa

dos teus bens

da tua beleza,

do teu calor,

da tua serenidade...

 

só atinam,

quando tu os sacodes,

com os teus soluços

o teu impulso,

a tua rajada?!

eih! homem, acorda!

olha em teu redor

ataleia!...

olha o céu!

 vês?!

a imensidão do universo

isto é tudo teu!

mas pensa...

vê se consegues encontrar-te

e encontrar a tua "estrela",

e pensa, pensa...

que o teu irmão tem uma também.

...

tantas estrelas,

tantos homens,

tanta luz

tanta bondade de Deus!

Ouve criatura, tu não és deus

Tudo isso te foi dado,

para saberes usar

com amor,

em louvor do Criador!

...

e olha, a nossa Terra,

o nosso planeta,

não é senão

aquilo que o fazemos ser,

infelizmente,

e por muitos,

a sombra esfarrapada

dos nossos atos, alguns imperdoáveis.

 by peregrina

publicado por emcontratempo às 10:43
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15
Dez 12

 

 só aqui...

a paz é verde,
o silêncio abraça o arvoredo,
harmonia é a toada da passarada,
ao amanhecer!
 
só aqui...
o vento, a aragem, a brisa,
são salgadas e azuís,
ondeadas de plumas brancas!
 
só aqui...
o cheiro a terra rasgada,
sabe-me a pão e a fartura,
a chaminé branca,
a brasa,
o calor familiar,
a ternura!
 
só aqui...
os incensos são o perfume
  envolvente do ar
que me penetra as narinas.
 
só aqui...
tudo é maravilha,
tudo é  beleza,
neste cantinho recôndido,
do meu lugar!
 
só aqui...
a natureza gratuita
me embebe e me embala,
ao passar,
esvoaçando saudações!
 
só aqui...
no meu parreiral!
by peregrina
publicado por emcontratempo às 15:17

24
Out 12

 

São como sons

agitam-se dentro de mim.

por vezes,

não compreendo,

fico relutante

e engano-me.

 

Mas,

os sentimentos,

esses

 falam bem alto

eles não erram

são genuínos.

 

E o seu eco

dentro de mim

incita-me

move-me.

Esse som em mim

compreendo-o

por vezes,

mas...

não digo,

não quero,

não acredito

no entanto

quero senti-lo,

ouvi-lo

falar-lhe,

deixar-me enriquecer nele,

recriar

os sentimentos

nas coisas mais humildes

que certo "mundo" esquece

e mata

e destrói,

e queima,

e (não) vive

vive construindo

a desgraça.

Mas... eu...

porém, escolho

as coisas,

as pessoas,

os gestos,

humildes,

que não brotam

da imponência,

mas da sinceridade

das suas almas,

da sua natureza,

da sua virtude,

da sua singular forma

de estar,

na vida...

peregrina

publicado por emcontratempo às 11:59

09
Out 12

 

 

Quando fora do teu leito,

me sentindo estrangeira,

como é bom, como me deleito,

como arde o coração em meu peito,

ouvir entre os transeuntes, em jeito

de voz soando a conhecida,

oh como é bom, Pátria amiga.

 

Ao seguirmos nas ruas, vielas, prenhas

de gente balbuciando, se solta um grito,

um eih, olá, não me conheces, sou do Pico!

E, aí o coração palpita, em alegria tamanha,

ao soar a linguagem, que o ouvido não estranha.

 

Oh saudosa terra amada, pequeno torrão natal,

mesmo longe, estás gravada, guardada,

em pequenino lugar, para sempre acalentada,

no peito se me bate o coração,

minha doce terra amada, cantinho de Portugal.

peregrina

publicado por emcontratempo às 09:42

27
Set 11

 

 

Sabe bem recordar,

pois recordar é viver.

Apetece-me falar

e nestas páginas registar

para vindouro saber.

O trabalho e canseira

deste povo que é meu

e que à sua maneira,

soube amar, louvar e crer,

longo caminho percorreu.

 

Oh meu Povo, eu te honro,

meus avós, antepassados,

que por entre tantos assombros,

deixaram em vez de escombros,

tantos caminhos rasgados.

 

Entre vinhas e vinhedos,

muito povo a trabalhar!

Neste lugar dos Toledos,

entre sóis amenos,

suaves sossegos,

bom vinho não há-de faltar!

 

Nas canadas e currais,

doces uvas a cheirar,

nas adegas, há bom vinho!

Beba um copo!

Não quer mais?!

O povo adora ofertar!

 

vindimas2008mnm

publicado por emcontratempo às 11:38

23
Ago 11

 

Olha, meu cantinho, sabes, ando há dias para te segredar isto.

Sabes tenho tido muito trabalho.

Resolvi mais um ano, levar com paciência os insultos indirectos.

Arriscar a ajudar na ornamentação da nossa Igreja para a festa.

Aparentemente, parece tudo ter corrido bem, mas não é verdade.

Temos um grupo que não é coeso.

Um grupo que parece não ser de comunidade cristã, uma vez que há fuga de informação e dentro do grupo nem todas são informadas das necessidades e evidências para que tudo corra pelo melhor.

Ou seja, há pessoas no grupo que são pura e simplesmente ignoradas, sem que para isso tenham dado qualquer razão que não fosse a ajuda desinteressada.

Sabes, meu cantinho, detesto este grupo, e não quero compactuar mais com ele...

Sei que a Igreja de Cristo é constituída por santos e pecadores...

Daí ter aceitado sempre com resignação tudo o que até aqui se passou, e não foi pouco.

Mas acho também uma imbecilidade minha teimar em continuar onde não me querem.

Por isso estou decididamente a pensar abandonar, não as responsabilidades como cristã, mas este "barco" que...

Outras oportunidades virão, para quem quer ajudar na sua comunidade.

Outros barcos aparecerão, acredito.

Por isso antes que naufrague na minha fragilidade física, sim, porque a psicológica já anda há anos grandemente atropelada por tudo isto.

Desculpem mil vezes, quem se sentir ofendido, mas não consigo aguentar mais.

É a parte física que não corresponde, é de carne e osso como os outros.

É humana.

Adeus.

publicado por emcontratempo às 14:32

24
Fev 10

 

 

Por entre um céu cinzento mareado, surge sob olhares plácidos o sol arrepiado, que nem os crespos desta quadra vagueando dentro das caçarolas em banha quente.

 

Quente não é o tempêro deste dia, em que o frio também não coaduz. fico-me então na mornura do lar, é fim de semana e ...

 

É assim, não há sábado sem sol, nem noiva sem lençol ...

 

Lençol é o que se pode vislumbrar por entre as chuvadas mais ou menos longas, interceptadas com algum vento, num céu de Fevereiro.

 

Fevereiro arrepiado.

 

Arrepiar até aos ossos, quem porventura, ou mera ironia do destino, teve de sulcar as ruas afogueadas de fortes correntes de ar, poeira e alguma água fortemente machucada, de encontro às paredes parasitadas de pastel por sobre seus tornozelos negros.

 

Negros e amiudados de pedra e cascalho são os maroiços ora entre os vinhedos, ou então além ao lado das secas migalhas de terra lavradia, os já ancestrais "miradoiros"

 

...

                                                                                                                                                   Manomero1987

publicado por emcontratempo às 18:01
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12
Jan 10

 

No meu tempo:

 

 O calendário preso num prego na parede do cozinha, marcava o dia 7 de Outubro.

 

Primeiro dia de escola.

 

Eis que saio de casa...

 

...caminhando em companhia das minhas colegas e irmã.

 

Voltando-nos para sudoeste, ao longo do caminho dos Toledos, passando pela vinha do sr. Jacinto, o mato e as figueiras das sras. Sacas, a vinha do sr. Augusto Paim, mato do sr. Alfredo Saca, casa, quintal e vinha da sr. António Salsa e da sra. Leonor Palhaça, todos delimitados ao poente pelo caminho dos Toledos que nesta zona tinha e tem em frente destes prédios os matos dos Machados, em tempos todos estes matos eram vinhas.

 

Mais adiante eis-nos chegados à ladeira dos Santinhos.

 

Ao lado da terra só matos até à Canada do Serralheiro de cima e à adega do sr. Lima (hoje do sr. Anselmo).

 

Ao lado do mar matos da família da D. Carolina, e do sr. Xico, pais dos srs. Carlos, Fernando e Alberto do Xico como assim os conhecia, por amigos e vizinhos de meu pai.

 

E a Canada do Serralheiro de baixo, descendo até à Barca.

 

Continuando no Caminho dos Toledos e passando a adega do sr. Lima, do outro lado do caminho tinha mato do sr. Alberto Alvernaz, hoje do filho.

 

Mais à frente e ao lado do Pico uma vinha dos Calcetas e a vinha e adega dos Tonins dos quais meu tio António era feitor.

 

Logo aí ao lado a Canada das Brancas e ao lado do mar matos das famílias do sr. Carlos Silveira e vinha do sr. António da Celeste, adega do sr. Francisco Inácio e ao lado de cima prédio de pinheiros e cedros também dele.

 

Ainda do mesmo lado vinha perdida do sr. josé Pereira Guarda Fios.

 

Seguindo em continuação e ao lado poente, matos de antigas vinhas, alambique e casa de veraneio, então dos irmãos Machado, antes dos frades, hoje, Museu do Vinho.

 

Sempre do lado do Pico, as casas da sra. Alfredina e Leonor do José Simas, a casa do sr. Augusto Paim, intercalada com matos novamente dos guarda fios.

 

Depois e mesmo em cima da curva para o Colégio a casa da sra. Palmirinha, e o seu tanque com casa de abrigo dos carro de bois embutida nas paredes do tanque (isto ainda existe hoje).

 

Nessa reentrância, nos abrigámos muitas vezes das chuvas ao ir ou vir da escola.

 

E, eis-nos na actual Travessa do Carmo onde a sul, era a vinha do sr. Jacinto e a do Tio Manuel Garcia e ainda a casa do sr. José do Manuel Garcia, aquele primo e este, tio de meu pai.

 

A norte continuava o quintal da sra. Palmirinha do sr. Augusto e a casa do sr. Manuel Nunes e Isabel Damaso, seguindo-se a casa do sr. José Nunes e quintais de ambos os irmãos.

 

Terminada a travessa do Colégio, entrávamos na Estrada Nacional , passávamos pela casa do sr. António Luís, da Teresinha Palhaça, do Sr. Jacinto, do sr. josé Gonçalves, da Evarista e do Camacho.

 

E continuando, eis-nos chegadas à casa da Tia Carranquinha onde no regresso da escola entrávamos e dividíamos as nossas migalhas de pão, hoje é a Ourivesaria Pérola.

 

A Tenda do Carranca, hoje Hotel Pico....

 

A casa solitária e sombria dos Camachos, a Sul, ainda existente hoje.

 

Logo a norte o armazém, casa e vinha? do sr. José Velhinho.

 

Nesta fiz com as minhas colegas de escola uma travessia até à canada do Serralheiro.

 

Atravessámos a vinha, depois uma vereda por entre os matos e fomos sair mais ou menos a meio da Canada do Serralheiro de Cima.

 

Lembro-me que a Rosa Pires pôs a irmã Alda Pires à frente, as mais pequenas no meio e ela ia atrás.

 

Foi a nossa primeira aventura no tempo de escola.

 

Assustámo-nos com uma coisa branca, que apareceu mais adiante em pleno meio do mato.

 

Allllllmas!!!...

 

Não!!!

 

Apenas uma pedra cheiiinha de musgos brancos!

 

Mas, e continuando, ...

 

... o resto do percurso, a pé, até à Escola das Sete Cidades, propriedade da sra. D. Mariazinha Alvernaz.

 

Chegadas à casa da tia Rita Caiada, creio ser irmã do Caiado da Pedreira e da tia Oráquia mãe da tia Palhaça, sra. Leonor Palhaça e do sr. José Palhaça do Valverde.

 

Caminhando adiante a casa do sr. Tibério da Quinta, assim o conhecia, da sra. Ilda das Cruzes, mãe da Fátima do Manuel São João, do Júlio das Cruzes, ...

 

A casa do sr. António Cabós e da sra. Berta.

 

A  da Tia Emíla Carlota e do tio João da Carlota, mãe do sr. José Nestor, ou José da Emilia, como assim lhe chamavam.

 

Ainda as casas, isto sempre ao lado debaixo, do sr. Januário Soares e do primo de meu pai, o sr. Manuel da Rosa, a do sr. António Narciso e da sra Maria Leonor, esta irmã da mãe da Maria Regina e prima de meu pai.

 

Ao lado de cima a casa do sr. Docelino e do Manuel Dutra "pé- de- boi", a casa do Matateu, dos irmãos Estácio, do ruinzinho, ...

 

Os botequins da sra. Ema do Silvino e sra. Olívia do António Pereira.

 

A do tio Francisco Martelo, do sr. José Vieira, logo em frente a do sr. Manuel Amaral e mais a sul a do ...

 

Eis-nos chegadas à Pedreira!

 

A escola é já ali.

 

O primeiro dia de escola em cada ano, era este dia. Sete de Outubro. Se não caísse em fim de semana...

 

Neste meu tempo, era uma alegria, voltar à escola.

 

publicado por emcontratempo às 10:41

16
Dez 09

... e vinham muitas roupas sim, ...

 

Primeiro vinham do Brasil, (Rio de Janeiro, São Paulo, Petrópolis)?

 

Depois...

 

Depois vinham da América, mais concretamente da Califórnia (San Pablo).

 

Vinha uma saca por ano.

 

Era quase sempre perto do Natal.

 

Recebíamo-la como prenda do Menino Jesus.

 

... e tudo se procurava aproveitar.

 

Tudo se concertava à nossa maneira.

 

Faziam-se outras obras, de vestidos, camisas, calças, etc...

 

Por vezes davam outros vestidos para as crianças, saias, até se faziam toalhas aos quadrados ligadas com bonitas pontilhas, tudo, tudo a rigor.

 

Panos de pão, de tabuleiro...

 

Hoje guardo saudosamente alguns, feitos por minha mãe.

 

Habituei-me a isto, ainda hoje procuro dar outra utilização àquilo que deixa de servir...

 

Até mesmo as peças de roupa que não servissem para mais nada, cortavamo-las às tirinhas, mandávamos tecer.

 

Este trabalho era feito a maior parte, por meus pais, quando ficavam sós, durante o dia enquanto íamos trabalhar e as miúdas para a escola.

 

Para além de verem televisão, este era um dos seus entretenimentos.

 

Cortar, cozer e enrolar em novelos multicolores.

 

À chegada das netas, faziam um breve intervá-lo.

 

Oh Maria, oh Isabel, toca a comer qualquer coisa.

 

Um pãozinho com doce caseiro e um copo de leite, era quase sempre o lanche.

 

E, dizia ele:

 

- Agora toca a fazer as coisas da escola.

 

Ah, mas... dizia a avó:

 

- Vocês vão num instante e "arrecolham" a roupa, pois depois fica chirenada.

 

E... retorquia o avô:

 

- Olha, vão vocês também "tratar dos bichos", isto porque para ele já não era possível.

 

Passava os dias sentado na cadeira de rodas a cortar os retalhos.

 

Tá bem, diziam elas.

 

Neste dia, não dava para irem para "o combinado".

 

O combinado era detrás de casa, na vinha do avô, um cantinho onde haviam guardado uns textos de pratos, conchas, pauzinhos, e dos brinquedos que tinham.

 

Hoje tenho várias e bonitas colchas do tear.

 

Foram feitas na Criação Velha, pelas irmãs Tavares.

 

São peças que hoje já não se fazem na Ilha.

 

As tecedeiras, arrumaram o tear, é peça de museu.

(continua)

 

Agosto 2006         Manomero

publicado por emcontratempo às 16:16
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24
Out 09

 

 

Em tempos, era aqui que se mudava de calçado para ir para a missa ou para a festa.

Explicando melhor, as mulheres é que se davam a esse trabalho.

Como viviam longe e o caminho era de terra batida, estragava mais o calçado.

A necessidade exigia poupanças porque tudo era caro e os ganhos poucos.

Traziam calçado mais velho para que o novo durasse mais.

Era então aqui, detrás do portão do tio Leal que faziam as trocas.

Calçava-se as meias e sapatos melhores.

Os outros, ficavam por ali, num canto ou então presos nos bicos do portão.

Até que viessem da missa e fôssem novamente trocá-los.

Assim acontecia, em tempos idos.

Hoje, pode parecer estranho, mas naquela época era normal.

Coisas de antanho que convém anotar.

É que hoje, não há a noção do valor dos gastos.

Há muito boa gente que gasta e gasta porque não doeu a ganhar.

Essa gente nunca saberá poupar.

E o que vier a adquirir nunca terá o sabor daquilo que se adquiria.

Pois tudo o que se tinha era muito suado, assim dizia meu pai.

Queria então dizer "trabalho muito, para ter pouco".

Tempos difíceis que hoje poucos sabem avaliar.

publicado por emcontratempo às 22:38
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