O desafio dos nossos dias...

31
Jul 11

 

Anteontem preparámos o altar para receber o Divino Espírito Santo, em casa de minha prima.

Ontem, à noitinha, foi o primeiro dia de se cantar o Terço ao Divino.

Ainda fomos 10 a cantar o terço.

Hoje, ficou para as 20 horas, esperamos que vá mais gente.

Esta, penso que será a décima coroa do Senhor Espírito Santo, levada por pessoas do meu lugar.

E, passo a anotar:

A primeira que me recordo foi a da Sra. Maria do Rosário (filha da Tia Maria José do Pavão).

A segunda foi a do Sr. Manuel Padrenosso.

A terceira foi a do Sr. António Padrenosso.

A quarta foi a do Sr. José Padrenosso.

A quinta foi a da Sra Leonor Palhaça.

A sexta foi a da Maria Zulmira.

A  sétima foi a da Ilda do José Caetano.

A oitava foi a do António da Celeste.

A nona foi a da Fernanda Soares.

E agora esta da Maria Alice e José Valim.

Desde a primeira até esta vai um longo percurso de 47 anos, mais ou menos.

Como me lembro disto, como o tempo corre, meu Deus...

É caso para rezar:

 

Vinde Espírito Divino,

Celeste consolador,

e realizai nas almas

as obras do Vosso Amor...

 

Amanhã anotarei mais do que se passar e do que me recordar desde esses tempos...

Até amanhã, se Deus quiser!

 

 

publicado por emcontratempo às 01:06

16
Out 09

No fim do Verão.

A desfolhada do milho.

Depois das vindimas.

Após a fervura nos balseiros e

...aperto doloso nos lagares.

Depois da tiragem dos vinhos.

Depois do apertar das cascas.

Era então o lambicar dos bagaços das uvas.

Era o fazer-se a aguardente.

Mais própriamente o "Bagaço" de uva.

Assim denominado pelas nossas bandas.

E eis que nos serrados os milhos doiram.

Estão prontos a ser colhidos.

Tem de ser apanhados antes das primeiras chuvadas do Outono.

Acarretados outrora em carros de bois.

Arrumados nas lojas das casas.

Eis que começava as desfolhadas.

Por alturas da desfolhada do milho, isto é após a colheita da maçaroca os vizinhos tinham por habito darem ajuda uns aos outros como forma de troca de trabalho. Esta desfolha (tirar a folha) era um trabalho já feito no Outono praticado numa altura de vida pacata em que as noites eram longas e não havia televisão ou outros meios de entretenimento. Assim as pessoas, amigos e vizinhos e familiares juntavam-se e o trabalho entrava pela noite dentro por entre cantigas e bailes.

Bonecas de artesanato feitas com filha de milho obtida ao desfolhar a maçaroca, Ilha Terceira, Açores, Portugal.

Era costume fazerem-se jogos como o Jogo das Socas que constava no simples facto: se o milho era vermelho, quem o desfolhava teria que dar um abraço em quem estivesse a seu lado, se era roxo significava um beliscão, enquanto que amarelo era um beijo.

Era também comum as primeiras maçarocas desfolhadas serem cozidas e servidas às pessoas presentes que eram comidas secas ou barradas com manteiga.

publicado por emcontratempo às 05:32

03
Ago 09

 

 

 

Em casa de meus pais, e por esses tempos da minha infância era costume colocar-se uma ferradura atrás da porta.

Era usada para dar sorte e contra os invejosos, que só com os olhos "comiam" tudo.

Agora, se se usam, serão apenas objectos de decoração.

publicado por emcontratempo às 12:42

24
Jun 09

"As Festas Juninas surgiram na Europa, originam-se na antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão (hemisfério norte). Assim como a cristianização da árvore pagã "sempre verde" que se transformou na árvore de Natal, a Festa Junina do dia de Midsummer (24 de Junho) pouco a pouco, durante a Idade Média, foi transformando-se na festa de São João Batista, o santo celebrado nesse mesmo dia. Ainda hoje, a Festa Junina é o traço comum que une todas as festas de São João européias. Uma lenda católica antiga, afirma que o costume de acender fogueiras no começo do verão europeu era originado num acordo feito pelas primas Maria e Isabel; para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio, após o parto Isabel teria de acender uma fogueira sobre um monte.

'A relevância do papel de São João Batista reside no facto de ter sido o "precursor" de Cristo, a voz que clamava no deserto e anunciava a chegada do Messias, insistindo para que os judeus se preparassem, pela penitência, para essa vinda. Já no Antigo Testamento encontramos passagens que se referem a João Batista. Ele é anunciado por Malaquias e principalmente por Isaías. Os outros profetas são um prenúncio do Batista e é com ele que a missão profética atingiu sua plenitude. Ele é assim, um dos elos de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento. Segundo o Evangelho de Lucas, João, mais tarde chamado o Batista, nasceu numa cidade do reino de Judá, filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, parenta próxima de Maria, mãe de Jesus. Lucas narra as circunstâncias sobrenaturais que precederam o nascimento do menino. Isabel, estéril e já idosa, viu sua vontade de ter filhos satisfeita, quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias que a esposa lhe daria um filho, que devia se chamar João. Depois disso, Maria foi visitar Isabel. "Ora quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: 'Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre ! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite ?'" (Lc 1:41-43). Todas essas circunstâncias realçam o papel que se atribui a João Batista como precursor de Cristo.

Ao atingir a maturidade, o Batista se encaminhou para o deserto e, nesse ambiente, preparou-se, através da oração e da penitência - que significa mudança de atitude, para cumprir sua missão. Através de uma vida extremamente coerente, não cessava jamais de chamar os homens à conversão, advertindo: " Arrependei-vos e convertei-vos, pois o reino de Deus está próximo". João Batista passou a ser conhecido como profeta. Alertava o povo para a proximidade da vinda do Messias e praticava um ritual de purificação corporal por meio de imersão dos fiéis na água, para simbolizar uma mudança interior de vida. A vaidade, o orgulho, ou até mesmo, a soberba, jamais estiveram presentes em São João Batista e podemos comprová-lo pelos relatos evangélicos. Por sua austeridade e fidelidade cristã, ele é confundido com o próprio Cristo, mas, imediatamente, retruca: "Eu não sou o Cristo" (Jo 3, 28) e " não sou digno de desatar a correia de sua sandália". (Jo 1,27). Quando seus discípulos hesitavam, sem saber a quem seguir, ele apontava em direção ao único caminho, demonstrando o Rumo Certo, ao exclamar: "Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". (Jo 1,29).

João batizou Jesus, embora não quisesse fazê-lo, dizendo: "Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim ?" (Mt 3:14). Mais tarde, João foi preso e degolado por Herodes Antipas, por denunciar a vida imoral do governante. Marcos relata, em seu evangelho (6:14-29), a execução: Salomé, filha de Herodíades, mulher de Herodes, pediu a este, por ordem da mãe, a cabeça do profeta, que lhe foi servida numa bandeja. O corpo de João foi, segundo Marcos, enterrado por seus discípulos.' Celebremos hoje então, nesta data tão especial, a vida e o legado do glorioso São João Batista!

Conta a tradição que quando São João Batista nasceu, sua mãe, Isabel teria acendido uma grande fogueira para anunciar o nascimento do bebê. Assim, sua prima Maria poderia saber do acontecido mesmo de longe, ao ver o sinal de fumaça no céu. No entanto, históricamente, relata-se que no século 6, a Igreja Católica teria passado a homenagear São João no dia 24 de Junho,
próximo à época em que eram realizadas comemorações pelas colheitas na Europa. Só no século 13, outros santos completaram o ciclo de festas juninas. Dia 13 para Santo Antônio, dia 24 para São João Batista e dia 29 para São Pedro e São Paulo.

A partir dessa união entre a festa por boas colheitas e a festa em louvor aos santos católicos, a fogueira - principal elemento nos festejos agrícolas - passou a ser também uma homenagem ao nascimento de São João. De uma forma ou de outra, sinais no céu são o que não faltam no dia desse santo. Fogos de artifício e os temidos balões são marcas da festa que é tradição em todo o Brasil e Portugal. Enquanto isso, na terra, bandeiras, muita comida, bebidas e danças típicas são feitas em homenagem ao santo. Existem várias lendas sobre este santo e a tradição de sua festa. Uma delas é a de que São João adormece no seu dia, pois se estivesse acordado vendo as fogueiras que são acesas para homenageá-lo, não resistiria: desceria à Terra e esta correria o risco de incendiar-se. Segundo os devotos, os balões levam os pedidos para São João. Assim, acredita-se que se o balão queimar, o desejo não será realizado. Portanto, talvez o melhor seja não se arriscar. É preparado também um mastro para receber a bandeira do santo homenageado."

www.ruadasflores.com

 

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Como manda a tradição, as jovens moças, na véspera de São João punham :

 

Três papéis  enrolados com nomes de rapazes num copo, no outro dia iam ver e o que tivesse mais aberto seria o rapaz com quem casariam.

 

Também como dizia a minha mãe, colocavam um caracol sobre um pano escuro, debaixo da peneira, passava ali a noite e o possível nome que ali se pudesse ler seria o do rapaz com quem iam casar.

 

Ainda, a moça colocava uma clara de ovo num copo com água, esta se ao passar a noite de S. João se transformásse no desenho de um bonito castelo, iria ser rica, se não, seria pobre.

 

E mais, colocava-se o nome de três rapazes em três papéis enroladinhos e distribuía-se por três lugares da casa. Um destes lugares, era debaixo da almofada, o nome que ali ficásse, tirado à sorte, depois abria-se no dia de S. João seria o rapaz com quem se casaria.

 

Coisas subjectivas, e ao mesmo tempo engraçadas.

Fruto do tempo em que não haviam meios sofisticados de entreter o tempo.

Certo é que só por um calhar se acertava, claro...

publicado por emcontratempo às 16:23

 Zona Balnear da Formosinha

Ia-se passar um bocado ou o dia para a costa.

Tomava-se o primeiro banho do ano.

Ás águas já estavam bentas, diziam os nossos.

Levava-se um pequeno lanche.

Eram as torradas de rosquilhas das Festas do Espírito Santo.

As favas torradas.

As ameixas de São João.

Coziam-se batatas escorridas.

Grelhava-se o peixe.

Levavam-se cobertores e descansava-se após o banho.

O lugar aprazível, prometia o descanso.

Depois havia o baile aí, ao ar livre, ao som de um gira discos.

Era a chamarrita, um pé de dança, de algum disco mais afamado na altura.

Anoitecia.

Havia que regressar a casa a pé.

Não havia luz.

O lugar era pobre, e foi quase dos últimos da freguesia a ter luz e água "encanada", como se dizia.

Mas... pairava uma sã convivência.

E uma paz que hoje relembro com saudade.

publicado por emcontratempo às 02:36

23
Jun 09

 

Caía a tardinha.

Feitos os "trabalhos de casa" diga-se(deveres escolares).

Eufóricas corríamos até ao Cabeço.

Pela encosta colhíamos loiros, giestas e outros ramos.

Estes serviam para juntar às vides, rama de fava, etc.

Era dia da fogueira.

Ver subir as chamas direitinhas ao Céu.

Era a tradição (hoje um pouco perdida).

Fogueira acesa.

A pouco e pouco ateadava-se o fogo. 

No ar o perfume dos louros.

O soar das giestas estaladiças.

Eram os rapazes a saltar a fogueira.

E as favas torradas...

Havia alegria!

Alegria partilhada aqui e ali...

E íamos, caminho adentro, ver as fogueiras.

Era a da tia Rosa, do tio ..., da tia...

... da prima, neste pequeno lugar,

quase todos são parentes.

publicado por emcontratempo às 11:09

11
Set 08

 

 

Vindimo, colho os cachos,

vindimo, apanho as uvas,

carrego o cesto no braço,

e num dia de cansaço

deixo a vinha a cantar,

entrando na tarde, passo,

tiro o cesto do braço,

vou para o largo bailar.

 

Entre vinhas, vindimadas

ficam parreiras despidas.

Carros de bois chiando,

as adornas carregando

entre canadas floridas,

às adegas vão chegando

e, eis que lá vão despejando

as doces bagas feridas.

 

Os cachos rochos, dourados,

deixam as vides viúvas,

e as parreiras chorando,

seus amores vão deixando,

entre o cantar das moçoilas,

ressoam entre os currais

ficai parreiras, vides, folhas,

para o ano, Deus dá mais.

by peregrina

 


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